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Ondas de calor históricas marcam o mês de dezembro e expõem a intensificação de extremos climáticos no Brasil

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O mês de dezembro de 2025, foi marcado por um cenário climático atípico e preocupante em grande parte do território brasileiro, especialmente na Região Sudeste, onde sucessivos recordes de temperatura foram registrados em um curto intervalo de tempo. Dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que capitais e municípios do interior enfrentaram temperaturas muito acima da média climatológica histórica para o período, caracterizando um dos episódios de calor extremo mais intensos e prolongados já observados no país em meses de verão recente.

Na cidade de São Paulo, os termômetros atingiram valores inéditos para dezembro desde o início das medições sistemáticas, realizadas a partir da década de 1940. Em diferentes dias ao longo do período analisado, a capital paulista registrou sucessivas quebras de recordes históricos de temperatura que se mantinham há mais de seis décadas, alcançando valores superiores a 37 °C na estação meteorológica do Mirante de Santana, localizada na Região Norte da cidade de São Paulo e considerada referência oficial para o monitoramento climatológico da capital. Esses valores não apenas estabeleceram novos recordes mensais, como também ultrapassaram as máximas registradas ao longo do próprio ano, evidenciando a excepcionalidade do evento.

O calor extremo não se restringiu à capital. Diversos municípios do interior paulista apresentaram temperaturas superiores a 40 °C, revelando um quadro de abrangência regional. Cidades do Vale do Ribeira e do sul do estado figuraram entre as mais quentes do país, reforçando que o fenômeno extrapolou áreas tradicionalmente mais urbanizadas ou sujeitas a ilhas de calor. Paralelamente, outras capitais do Sudeste, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, também registraram picos térmicos elevados, alguns deles repetindo ou superando os recordes anuais anteriormente observados.

Do ponto de vista meteorológico, os especialistas atribuem esse padrão persistente de calor à atuação de um bloqueio atmosférico associado a uma massa de ar quente e seca. Esse sistema atua como uma barreira à progressão de frentes frias, reduzindo a formação de nebulosidade e limitando a ocorrência de chuvas mais organizadas. Como consequência, observa-se uma sequência de dias com forte insolação, altas temperaturas diurnas e noites com pouca perda de calor, o que agrava o desconforto térmico e aumenta os riscos à saúde humana.

Diferentemente de episódios pontuais de calor, comuns no verão brasileiro, o que chamou atenção neste período foi a duração do evento. A permanência de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos levou o INMET a emitir alertas de nível máximo, classificados como “alerta vermelho”, abrangendo oito estados do Centro-Sul do país. Esses avisos indicam situações de grande perigo, nas quais as temperaturas se mantêm cerca de 5 °C acima da média climatológica, com potencial impacto significativo sobre sistemas urbanos, atividades produtivas e a saúde pública.

Sob a perspectiva científica, episódios como este reforçam evidências já consolidadas na literatura climatológica sobre o aumento da frequência, intensidade e duração das ondas de calor. O aquecimento global, associado às mudanças climáticas, cria condições favoráveis para que eventos extremos se tornem menos excepcionais e mais recorrentes. A repetição de recordes em intervalos tão curtos, inclusive dentro de um mesmo mês, indica uma tendência de ruptura dos padrões históricos de variabilidade climática.

Diante desse cenário, órgãos oficiais de meteorologia e saúde reiteram a importância de medidas preventivas, como o acompanhamento contínuo de alertas climáticos, a manutenção da hidratação, a redução da exposição ao sol nos horários de maior radiação e a atenção especial a grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Mais do que eventos isolados, as ondas de calor registradas em dezembro sinalizam a necessidade de adaptação estrutural das cidades, revisão de políticas públicas e planejamento de longo prazo para lidar com um clima progressivamente mais extremo no Brasil

 

Para mais informações, acesse as reportagens a seguir:

Palhares, F. São Paulo bate recorde de calor em dezembro após 64 anos. CNN Brasil, São Paulo, 25 dez. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/sao-paulo-bate-recorde-de-calor-em-dezembro-apos-62-anos/

Agência Brasil. Temperatura em São Paulo chega a 37,2 ºC e bate recorde para dezembro. Agência Brasil, Brasília, 28 dez. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/temperatura-em-sao-paulo-chega-372oc-e-bate-recorde-para-dezembro

Dayse, Ana. SP, Rio e BH: veja as cidades que bateram recorde de calor em dezembro. Exame, São Paulo, 28 dez. 2025. Disponível em: https://exame.com/brasil/sp-rio-e-bh-veja-as-cidades-que-bateram-recorde-de-calor-em-dezembro/

BBC News Brasil. Onda de calor: por que 8 Estados do Brasil enfrentam “alerta vermelho” por temperaturas extremas? BBC News Brasil, 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy9535jreyjo